Curso gratuito de crase (1)

Este curso tem a proposta de mostrar como usar a crase de forma fácil. Ao final, traremos exercícios práticos com gabarito.

1. Regra básica para uso da crase

A crase, como o próprio nome diz, é uma fusão. E em língua portuguesa essa fusão ocorre da junção da preposição A com o artigo feminino A (se e somente se A), singular e plural.

Esse primeiro A é solicitado por alguma palavra que vem antes, enquanto o segundo A antecede a palavra que virá depois.

A + A = À

Em outras palavras, para haver crase, precisamos obrigatoriamente de dois A. Veja como é fácil:

Entreguei uma encomenda à menina.

Crase em à menina porque:

a) Quem entrega, entrega A (o primeiro A é solicitado pelo verbo entregar).

b) Entreguei uma encomenda A A menina (o substantivo menina vem precedido do artigo A).

c) Se existem dois A, ocorre a fusão: À.

Precisamos obedecer à Constituição brasileira.

Crase em à Constituição porque:

a) Quem obedece, obedece A (o primeiro A é solicitado pelo verbo obedecer).

b) Obedece A A Constituição.

c) Se existem dois A, ocorre a fusão: À.

Dica:

Para saber se existe crase, substitua a palavra feminina por uma masculina (quando couber). Se der AO no masculino, é porque existe crase no feminino. 

Veja:

Entreguei uma encomenda à menina (ao menino).

Precisamos obedecer à lei (ao regulamento).

Nesse caso há crase porque temos a preposição A (pedida pelos verbos entregar e obedecer) e o artigo feminino A (que antecede os nomes menina e lei).

Ao trocarmos as palavras femininas por masculinas, temos AO. Portanto, há crase.

Essa é a fórmula básica da crase (A + A = À). Dominando-a, você acerta quase tudo.

Resumo:

1. Crase não é acento, é fusão (A + A) marcada pelo acento grave.

2. Na dúvida, substitua a palavra feminina por uma masculina. Se na substituição o A virar AO, haverá crase no feminino. A palavra masculina não precisa ser sinônima da feminina, mas deve fazer sentido na frase.

2. Casos especiais

Você já sabe que a crase é a fusão da preposição A com o artigo feminino A e que essa fusão é marcada pelo uso do acento grave: À. E que a crase é empregada somente diante de palavras femininas.

Poderíamos terminar a explicação por aqui, mas existem alguns casos nos quais o A aparece craseado sem que necessariamente haja essa “fusão”.

a) Usa-se crase antes de locuções indicativas de horas:

Sairemos às duas horas.

O torneio terá início às 15 horas.

Atenção: Quando as horas forem antecedidas das preposições para, desde e até, não haverá crase, pois estará quebrada a regra preposição A + artigo feminino A:

Desde as 16h eu espero pelo atendimento.

O jantar foi marcado para as 20h.

Marcos disse que chegará até as 9h.

b) Usa-se crase antes de locuções adverbiais femininas que expressam ideia de tempo, lugar e modo:

Às vezes eu vou ao teatro.

Maria finalizou o trabalho às pressas.

Eu não iria a um encontro às escuras.

c) Usa-se crase com a expressão “à moda de” (“à maneira de”), mesmo antes de palavra masculina, ainda que não venha explícita na frase:

Meu professor cantou uma música à Roberto Carlos (à moda de, ao estilo de).

Josivaldo fez um gol à Pele (à moda de Pelé, como Pelé faz).

Claudia fez um bife à Camões (à moda de Camões).

Mas atenção: Maria fez um bife a cavalo (sem crase, porque não é “à moda do” cavalo).

d) Usa-se crase quando houver palavra oculta ou subentendida:

Vou primeiro à Praça da Águia e depois à da Liberdade.

(A palavra “praça” está subentendida antes da expressão “da Liberdade”.)

Refiro-me à garota de rosa, não à de branco.

(A palavra “garota” está subentendida antes da expressão “de branco”.)

e) Usa-se crase com o pronome relativo a qual (as quais), pois ele aceita artigo:

Estas são as pessoas às quais falarei hoje à noite.

Aquela é a senhora à qual me referi na semana passada.

f) Com nomes de lugar (cidade, estado, país, continente, planeta), a crase ocorre quando a palavra admite o artigo A:

Vou a Roma (sem crase porque Roma não admite artigo).

Fui à Bahia (com crase porque a Bahia pede artigo).

Cheguei a São Paulo (sem crase porque a cidade de São Paulo não admite artigo).

Dica: na dúvida, construa a frase usando o verbo “voltar”. Se o resultado for “da”, existe crase:

Voltei de Roma.

Voltei da Bahia.

Voltei de São Paulo.

Aproveito para esclarecer que a cidade do Recife é antecedida do artigo masculino O:

Fui ao Recife (e não Fui a Recife).

Sou do Recife (e não Sou de Recife).

Vim do Recife (e não Vim de Recife).

Eu amo o Recife (e não Eu amo Recife).

Acesse aqui a continuação deste curso.

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Publicado por Sol Antônia

Sol escritora de romances, língua portuguesa e livros de autoajuda.

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