Curso gratuito de nova ortografia (3)

3. Novas regras de uso do hífen com nomes compostos

Este assunto requer muita atenção, pelos detalhes envolvidos. Por isso, sugiro que leia e releia até compreender as regras.

Regra número 1

Formas como “afro-”, “anglo-”, “euro-”, “franco-”, “indo-”, “luso-” e “sino-”, quando não entram na composição de adjetivos pátrios (como em afro-brasileiro, anglo-saxão, euro-asiático), dispensam o hífen.

Exemplos: afrodescendente, anglofalante, eurodeputado, francolatria, lusófono.

Resumindo: “AFRO-”, “ANGLO-”, “EURO-”, “FRANCO-”, “INDO-”, “LUSO-”, “SINO-” = SEM HÍFEN SE NÃO FORMAR ADJETIVO PÁTRIO.

Regra número 2

Não se usa o hífen em palavras que perderam a noção de composição, como girassol, madressilva, malmequer, mandachuva, paraquedas, paraquedista e pontapé.

Observação 1: Dos compostos com a forma verbal “para”, só “paraquedas”, “paraquedista”, “paraquedismo” e “paraquedístico” perderam o hífen. Os demais mantiveram: para-brisa, para-choque, para-lama, para-raios, etc.

Observação 2: Dos compostos com a forma verbal “manda”, só “mandachuva” perdeu o hífen. Os demais mantiveram: manda-lua, manda-tudo, etc.

Observação 3: Escreve-se “malmequer”, sem hífen, mas “bem-me-quer”, com hífen. Acha incoerente? Então tente escrever “bem-me-quer” junto: “bemequer”. Estranho, não? Muda até a pronúncia!

Resumindo: GIRASSOL, MADRESSILVA, MALMEQUER, MANDACHUVA, PARAQUEDAS, PARAQUEDISTA, PONTAPÉ = SEM HÍFEN.

Regra número 3

O hífen continua a ser usado nas palavras compostas cujos elementos são substantivo, adjetivo, numeral ou verbo.

Exemplos: ano-luz, tenente-coronel, tio-avô, boa-fé, curto-circuito, guarda-noturno, luso-brasileiro, má-fé, mato-grossense, norte-americano, porto-alegrense, sul-americano, primeiro-ministro, primeiro-sargento, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva, porta-aviões, porta-retratos.

No entanto, se houver um elemento de ligação entre os termos, o hífen deixa de ser usado.

Exemplos: à toa (adjetivo e advérbio), corpo a corpo (substantivo e advérbio), dia a dia (substantivo e advérbio), passo a passo (substantivo e advérbio), arco e flecha, general de divisão, lua de mel, mão de obra, pé de moleque, ponto e vírgula, não me toques (melindres) um disse me disse, um deus nos acuda, um maria vai com as outras, um pega pra capar (confusão).

Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia (as economias de uma pessoa), ao deus-dará, à queima-roupa e os compostos entre cujos elementos há apóstrofo, como cobra-d’água, caixa-d’água, mestre-d’armas, mãe-d’água e olho-d’água.

Resumindo: PALAVRAS COMPOSTAS POR SUBSTANTIVO, ADJETIVO, NUMERAL OU VERBO = COM HÍFEN.

Regra número 4

Nos nomes de espécies botânicas e zoológicas, emprega-se o hífen sempre, mesmo que haja entre os termos um elemento de ligação.

Exemplos: abóbora-menina, andorinha-do-mar, bem-te-vi, coco-da-baía, dente-de-leão, feijão-carioca, feijão-verde, joão-de-barro, limão-taiti, mamão-havaí, não-me-toques (planta).

Resumindo: NOMES DE ESPÉCIES BOTÂNICAS E ZOOLÓGICAS = SEMPRE COM HÍFEN.

Regra número 5

Grafam-se com hífen os topônimos (nomes próprios geográficos) que tenham grã, grão, verbo ou os segmentos cujos elementos estejam ligados por artigo.

Exemplos: Grã-Bretanha, Grão-Pará, Abre-Campo, Passa-Quatro, Quebra-Costas, Quebra-Dentes, Traga-Mouro, Trinca-Fortes, Baía de Todos-os-Santos, Entre-os-Rios, Montemor-o-Novo, Trás-os-Montes.

Observação: Os demais topônimos se escrevem sem hífen: América do Sul, Belo Horizonte, Cabo Verde, Castelo Branco, Freixo de Espada à Cinta, etc. Exceção: Guiné-Bissau.

Resumindo: TOPÔNIMOS COM GRÃ, GRÃO, VERBO OU COM OS SEGMENTOS LIGADOS POR ARTIGO = SEMPRE COM HÍFEN.

Regra número 6

Escrevem-se com hífen os adjetivos pátrios derivados de topônimos compostos, inclusive os que contêm elemento de ligação.

Exemplos: belo-horizontino, cruzeirense-do-sul, florentino-do-piauí, mato-grossense, mato-grossense-do-sul, santa-cruzense.

Resumindo: ADJETIVOS PÁTRIOS DERIVADOS DE TOPÔNIMOS COMPOSTOS, INCLUSIVE OS QUE CONTÊM ELEMENTO DE LIGAÇÃO = SEMPRE COM HÍFEN.

Leia aqui a continuação deste assunto.

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Publicado por Sol Antônia

Sol escritora de romances, língua portuguesa e livros de autoajuda.

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